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quarta-feira, 2 de abril de 2008

O post scriptum de um país

SÓCRATES - Sistema Opressivo, Corrupto e Responsável Antes de Tudo por um Espaço Sufocante em que deixa de haver a liberdade de opção e passa a dominar a uniformidade, descoloração do verdadeiro interesse da e pela vida.

SIMPLEX - Será Isto Mais um Programa Louco e EXemplificativo de uma tentativa (falhada?) de tentar banalizar procedimentos que se querem, no mínimo, rigorosos e edificantes. “Empresa na hora, falência no minuto”.

ASAE - Antes Só que mal Acompanhado E sempre que possível em liberdade. Liberdade é palavra que repito e que se tem, cada vez mais, de repetir. Está em falta em Portugal. Liberdade de escolha. Liberdade de acção. Vem acompanhada, politicamente, da palavra RESPEITO. Respeito por quem, ingenuamente e ainda que uma só vez, acreditou.

Como não há respeito, as mudanças são impostas. Quem acreditou, ainda que uma só vez e ingenuamente, que aprenda, agora, a lição. Quem também está a aprender a lição, ainda que sem necessidade ou culpa, são os que já não acreditavam. Aliás, mesmo os que já não acreditavam ficaram surpreendidos com o impacto. Perturbados com a gravidade da doença. Do tumor que infecta cancerosamente o RESPEITO pela LIBERDADE dos cidadãos da República Portuguesa.

Qualquer português normal, culto ou ignorante, diz que "Quem lá se apanha, lá se governa". No entanto, PQP1, não exagerem!

É fácil e pacífico brincar com as siglas mas não é justo nem admissível brincar com as pessoas. É de pessoas que se tratam, não somos números, não somos estatísticas. PQP as macro-ideias. Actualmente, o povo português pensa em como dar comida aos filhos e chegar ao fim do mês sem dívidas.

O exemplo não é dado. Logo, não pode haver seguidores cegos. Custa-nos na pele o luxo exclusivo de quem se regozija em distribuir algumas migalhas pelos pobres. Os porcos não merecem pérolas! Que comam restos ou lavagem!

Impõe-se a tomada de medidas drásticas. Cortar o mal pela raiz. Decepar o membro infectado para conseguir salvar o corpo. Não vai ser fácil e pode haver muitas baixas. Nem sequer temos a certeza de conseguir vencer mas mais vale perecer lutando do que viver subjugado. Por isso, se querem que os vossos filhos cresçam com opções e ou se querem conseguir VIVER o resto da vossa Vida, não basta dizer NÃO. Temos que dizer BASTA, RUA (“põe-te a milhas, Pinóquio!”) e NUNCA MAIS!!

1 Prostituta que dá à luz; calão portuense

Miguel dos Santos - "III Milénio" #003

sexta-feira, 7 de março de 2008

ASAE’s precisam-se!!!

Pois é... Se esperavam que este espaço de maldizer iria atacar com desdém a recém-famosa ASAE, desenganem-se! Aliás, e sem qualquer ironia, temo informar que aqui só vão encontrar argumentos que a defende, promove e até idolatra, e porquê? Expliquemos então...

A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica foi criada através da extinta IGAE (Inspecção-Geral das Actividades Económicas), com mais duas ou três instituições que abrangiam sectores como a segurança alimentar ou os direitos de autor. No fundo, juntou num só organismo uma série de entidades inspectoras ou fiscalizadoras que, até à data da sua criação, existiriam apenas para que aqueles que pertenciam aos sectores em que estas actuavam não pensassem que seria uma balda. Não que não fosse, mas era só para que não pensassem que...

O certo é que, desde a criação da ASAE, estes sectores nunca mais foram os mesmos, em consequência da sua famigerada acção. Desde restaurantes a docas de pesca, de hipermercados a feiras, passando por recintos de espectáculos, praticamente ninguém escapa à sua actuação.

É precisamente aqui que se inicia o meu fascínio por estes senhores. É que, segundo transparece através dos media, com a mesma facilidade com que fecham a “Tasca do Zé Xunga” por ainda usar a colher de pau que, por sinal, já está na família há três gerações, fecham um daqueles grandes hipermercados por falta de condições de armazenamento de produtos alimentares. E a mensagem que passa é que para estes senhores o Zé Xunga, ou o conselho de administração do “Mega” hipermercado, são exactamente a mesma coisa: infractores!

E as feiras? A forma como as cercam e entram por lá dentro limpando tudo o que são piratarias, falsificações e produtos de furtos? Poder-se-á questionar a força e a forma de actuação perante simples feirantes, mas para mim só reforça a admiração que lhes venho a desenvolver. Pois imagine-se que estas actuações seriam em menor número e com maior discrição... O resultado seria que, no meio de milhares de ilegalidades e centenas de infractores, lá apanhariam um ou outro, ficando os restantes com a sensação de que esses foram uns desgraçados que tiveram azar. Mais uma vez, a importância da mensagem e a sua importância como efeito dissuasor seria esquecida.

A verdade é que trouxeram mais que segurança alimentar e económica a este país. No fundo, devolveram um pouco de esperança a um povo que praticamente já não acredita na justiça e que aceita a impunidade de prevaricadores como se já não houvesse nada a fazer. Em nome da lei, foi-nos apresentada aquilo que eu acredito ser uma fórmula para a tal revolução institucional e até social, de que necessitamos, como pão para a boca: “ É dar-lhes, sem dó nem piedade!”, pois o pior que pode acontecer será que, para sobreviver num “pós-ASAE”, será necessário adaptar-se e, para isso, terão que se modernizar, terão de se informar, ou melhor, de se formar, terão de melhorar a qualidade dos produtos e serviços, terão de elevar os seus padrões. Pergunto: será assim tão mau? Não é isso mesmo que queremos?

Sei que os tribunais estão já a começar a entupir, ainda mais, devido ao número de processos criados nestes últimos dois ou três anos. No entanto, alerto para que não se caia no erro de desvalorizar estas acções por causa disso. Devemos, pelo contrário, deixar contaminar todas as restantes entidades que regulam a vida deste país por esta forma de estar.

Por fim, não posso deixar de comentar a valente “charutada” protagonizada pelo presidente da ASAE num casino de Lisboa, dizendo que tal atitude me custou muito a digerir mas, ao mesmo tempo, serve para lembrar que a perfeição é inatingível. Mas podemos tocá-la, se tentarmos sempre atingi-la. Bom, espero também que tenha sido a excepção que confirma a regra.

Nuno Gomes - "Estranha Mente" #004