Gostaria de começar a minha apresentação pelas questões que me preocupam no âmbito da crítica de arte, dos seus propósitos e das suas possíveis concretizações.
A crítica, antes de ser qualquer outra coisa, é fruto da necessidade que o homem tem de conhecer o objecto que analisa. É um reflexo do interesse que nutriu por este. Digamos que ninguém se dá ao trabalho de criticar aquilo que não lhe interessa (a menos que seja masoquista ou tenha qualquer outra perturbação de índole psiquiátrico).
Por isso, esta forma de equacionar o mundo, a crítica, nunca pode esquecer que nasce de um interesse por outra coisa que não ela própria, que existe desde a sua criação um altruísmo verdadeiro, caso contrário pode estar condenada a cair no erro e descrédito, não passando de uma pretensão maliciosa.
Ela é uma das respostas às inquietações levantadas pelo objecto de análise, é a manifestação de um interesse quase religioso pelo sujeito do culto: o Deus-forma.
As questões que levanto são (ou pelo menos tentam ser) a base do processo da crítica, questões essas que não se prendem na analise do objecto artístico mas sim no motivo ou a génese da necessidade dessa analise e como ele, dentro dela própria, funciona.
Faço-o porque, enquanto criador, sou também profundamente crítico em relação ao meu próprio trabalho e ao que me rodeia.
“A crítica mais interessante e fértil é justamente aquela que na relação com o criticado compreende as fronteiras da sua própria perspectiva.(...) A crítica só tem um significado critico razoável: é consciência afectiva de limites.” ; pertence a uma “condição ficcional que se instala, ou mesmo se institucionaliza, num lugar de juízos determinantes”.
Quando esta se desloca da sua essência “secundária e dependente das obras, adquire a forma de actividade em si dando lugar a esse monstro que é a Crítica”.
“O exercício crítico não tem mais garantias que o criador. Tem menos, pois depende dele”.
“Com a verificação positiva desta impotência histórica não é o exercício crítico que finda e perde direito à existência. É apenas o mito da crítica e de homens que por direito divino encarnam essa excelsa aptidão”.
A tecla da subjectividade é accionada como parte integrante de todo o processo crítico. Não podemos esperar nunca uma objectividade crítica, pois ela tem dentro de si uma barreira que a impede de o ser. Ou seja, a crítica é sempre tão subjectiva como os pressupostos da obra, visto que “o ser da crítica não é mais que a sombra do ser literário, embora esta sombra não seja criada do exterior”. Entenda-se a palavra sombra como um adjectivo da subjectividade. A crítica é a “sombra de uma sombra”. Se substituirmos a palavra sombra por subjectividade temos: é a subjectividade de uma subjectividade. (Na linha do pensamento matemático mais elementar que nos diz que só 1 maçã + 1 maçã = a 2 maçãs). Neste sentido é como que o seguimento da génese do seu progenitor: “the meaning of a poem can only be a poem, but another poem, not a poem itself”. Tão simples quanto o reflexo no espelho de uma maçã torta só pode ser uma outra maçã torta.
Mas a sua coexistência não é assim tão direccionada, pois ambas dependem directamente uma da outra, se assumirmos que todo o processo criativo é comunicativo, temos que abordar sempre estes três factores essenciais e insubstituíveis: o emissor, o receptor e a mensagem (para já não falar nas subcategorias como o canal, a sintaxe, a semântica, o código, etc). No caso da superfície reflectora ser um espelho defeituoso, a imagem da maçã aparecerá distorcida não pela origem mas pelo objecto que a distorce.
A crítica deverá pôr sempre “a hipótese de que cada nova leitura possa implicar uma redescrição da obra. É necessário constatar que as obras por vezes constituem um processo de aparecimento/desaparecimento”. Não são de forma alguma coisas estanques no tempo. Implicam a noção do Devir. “A descrição é sempre posterior à hipótese interpretativa”, o que nos leva a admitir que a função da crítica não é a de apenas descrever.
Humberto Eco escreve: “Isolar estruturas formais significa reconhecê-las como pertinentes em função de uma hipótese global que se antecipa a propósito da obra; toda a análise dos aspectos significantes pertinentes supõem já uma interpretação”.
Esta frase é demonstrativa da repulsa que deve existir em relação à crítica que se baseia na simples descrição dos acontecimentos existentes dentro da obra. Tods estas afirmações prolongam a noção de obra aberta.
“O que define quais traços gramaticais são pertinentes enquanto traços estilísticos só pode ser uma hipótese de interpretação global que se antecipa à própria descrição da obra. É por isso que não faz sentido falarmos em descrição objectiva sem termos em conta que a descrição é sempre posterior à hipótese interpretativa”.
Panovsky: “Qualquer descrição deverá, num certo sentido, antes mesmo de ter começado, inverter a significação dos factores de representação puramente formais para fazer deles símbolos de algo que é representado. A partir daí, e faça o que fizer, a descrição abandona uma esfera puramente formal, para se elevar a nível de uma região de sentido”.
A crítica tem a árdua tarefa de converter os objectos na sua forma conceptual inicial, pois não serão as palavras que correspondem às imagens mas as palavras que correspondem às palavras que as imagens correspondem.
“A crítica é, por assim dizer, um experimento com a obra de arte, o que a faz reflectir sobre si mesma e a conduz à autoconsciência e ao autoconhecimento. (...) O sujeito da reflexão é, no fundo, a própria obra de arte, e o experimento não consiste na reflexão sobre a obra, reflexão esta que não poderia mudá-la na essência, conforme o espírito da crítica da arte romântica e sim na reflexão dentro da obra, no desdobramento da reflexão, o que significa, para o romântico, desdobramento do espírito”.
Ou seja, a crítica, pertencendo ao intrincado processo comunicativo da criação, é também ela aberta, estando dessa forma em sintonia com o objecto de análise. Ela faz parte da descoberta interior da própria obra. Deverá funcionar como uma prótese que não substituindo, vem acrescentar mais valias a esta.
Segundo Valéry, “o objecto de um verdadeiro crítico deveria ser descobrir que problema o autor, sabendo-o ou não, colocou e procurar se ele o resolveu ou não”.
A crítica nunca deverá esquecer a sua principal vertente de questionamento, que se sobrepõe a juízos de valor, ou qualquer outro tipo de questões de carácter particularmente subjectivo e possivelmente castrador.
Para finalizar, no meu entender, a crítica refugiou-se num savoir faire que passa demasiado por questões linguísticas que estão demasiado fechadas em si mesmas, esquecendo que o seu propósito inicial é constituído por questões conceptuais que são tratadas dentro da própria forma plástica (ou qualquer outra), e que mais do que simples palavras, devem ser palavras que evocam formas diferentes delas.
De um livro sobre Retórica: “A retórica clássica, a arte de bem falar, ou seja, a arte de falar (ou escrever) de forma persuasiva, propunha-se a estudar os meios discursivos de acção sobre um auditório, visando ganhar ou acrescentar a sua adesão às teses que lhe eram submetidas.(...) todos estavam de acordo sobre o facto que é a superioridade do saber que confere qualidades para as funções dirigentes, mas será forçoso confiar ao bom orador ou ao dialéctico realizado o tratamento dos assuntos políticos?”.
Esta questão parece-me importante porque me suscitou dúvidas sobre o possível papel da crítica da arte de hoje, que se vê muitas vezes sujeita às regras de mercado e, como tal, obedece a critérios de persuasão e marketing muito complexos. Faz tudo parte do mesmo saco, e parece que, de facto, a crítica é corrompida por esse sistema, não cumprindo dessa forma o papel para a qual foi tão nobremente criada. Ela torna-se muitas vezes uma questão de retórica, de dar rebuçados fora do prazo a crianças com os dentes muito corrompidos por cáries. “O orador educava os seus discípulos para a vida activa da cidade: propunha-se formar homens políticos ponderados, capazes de intervir de forma eficaz tanto nas deliberações políticas como numa acção judicial (...)”.
Mas tudo isto são críticas que ficam no ar...
Hugo Santos (algures no espaço/tempo) - "State of the art" #002
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terça-feira, 12 de junho de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
Há crítica de arte em Portugal?
Esqueci o que fui ontem. Hoje sou isto. Amanhã poderei ser ou não.
A isto costuma catalogar-se de Loucura (não a loucura do Erasmus, claro).
A ausência da consciência da temporalidade implica uma ausência da noção de eternidade.
Começamos pois por salientar o carácter efémero de muita da arte dos nossos dias e de qualificar esse facto como algo de indesejável, na medida em que consideramos a arte “coisa” de eternidade, “coisa” não sujeita a upgrades, “coisa” livre, pois sim.
Será necessário falar do encerramento do Rivoli e a posterior entrada triunfal do equivalente ao McDonalds do teatro de revista, o nosso querido Filipe La Féria (será mais um dos Filipes que vêm ocupar o que não é deles?)? Iremos abordar a última ARCO? Podemos ainda falar da ausência total de crítica de arte nos jornais e revistas da actualidade? Porque não? Parece que à terceira é de vez.
Encontramos estrelas dadas às estrelas de cinema e aos filmes de cinema, e podemos constatar que há permissividade, não só para falar bem como para se falar mal, de um filme, ou seja, criticar de forma menos positiva um objecto sujeito a crítica.
Eis que chegamos “aqui” ao “primeiro” assunto desta nossa querida rubrica. E o assunto é: a ausência de uma verdadeira crítica de arte nos media nacionais (e quiçá internacionais).
A crítica existente em Portugal, no que concerne às artes plásticas, está resumida a pequenos textos introdutórios às exposições que por aí flagram, textos esses que, muitas das vezes mal escritos, são encomendados pelos próprios artistas ou pelas próprias galerias. E não nos parece, a nós (pois claro, gente na qual incluo os meus queridos leitores com algum palmo de testa e eu próprio, com um palmo mais pequeno), que alguém encomende algo que não lhe seja favorável. Podemos então somar dois mais dois e chegar à conclusão que a crítica de arte em Portugal é, se não mesmo inexistente, mercenária.
Tendo em conta as altas pressões que poderão ser infligidas sobre o vosso querido narrador, este despede-se introduzindo um escafandro que, esperançadamente, o protegerá. Até breve.
Hugo Santos - "State of the art" #001
A isto costuma catalogar-se de Loucura (não a loucura do Erasmus, claro).
A ausência da consciência da temporalidade implica uma ausência da noção de eternidade.
Começamos pois por salientar o carácter efémero de muita da arte dos nossos dias e de qualificar esse facto como algo de indesejável, na medida em que consideramos a arte “coisa” de eternidade, “coisa” não sujeita a upgrades, “coisa” livre, pois sim.
Será necessário falar do encerramento do Rivoli e a posterior entrada triunfal do equivalente ao McDonalds do teatro de revista, o nosso querido Filipe La Féria (será mais um dos Filipes que vêm ocupar o que não é deles?)? Iremos abordar a última ARCO? Podemos ainda falar da ausência total de crítica de arte nos jornais e revistas da actualidade? Porque não? Parece que à terceira é de vez.
Encontramos estrelas dadas às estrelas de cinema e aos filmes de cinema, e podemos constatar que há permissividade, não só para falar bem como para se falar mal, de um filme, ou seja, criticar de forma menos positiva um objecto sujeito a crítica.
Eis que chegamos “aqui” ao “primeiro” assunto desta nossa querida rubrica. E o assunto é: a ausência de uma verdadeira crítica de arte nos media nacionais (e quiçá internacionais).
A crítica existente em Portugal, no que concerne às artes plásticas, está resumida a pequenos textos introdutórios às exposições que por aí flagram, textos esses que, muitas das vezes mal escritos, são encomendados pelos próprios artistas ou pelas próprias galerias. E não nos parece, a nós (pois claro, gente na qual incluo os meus queridos leitores com algum palmo de testa e eu próprio, com um palmo mais pequeno), que alguém encomende algo que não lhe seja favorável. Podemos então somar dois mais dois e chegar à conclusão que a crítica de arte em Portugal é, se não mesmo inexistente, mercenária.
Tendo em conta as altas pressões que poderão ser infligidas sobre o vosso querido narrador, este despede-se introduzindo um escafandro que, esperançadamente, o protegerá. Até breve.
Hugo Santos - "State of the art" #001
segunda-feira, 19 de março de 2007
Crónicas e cronistas do brakebit.blorg
crónica s. f.
do Lat. chronica
fem. sing. de crónico
narrativa histórica, segundo a ordem dos tempos; noticiário dos periódicos; comentário de factos da actualidade; referências desfavoráveis à vida de alguém; revista científica ou literária que forma uma secção de jornal.
cronista
s. 2 gén.,
pessoa que escreve crónicas; historiador.
Definições do "Dicionário da Língua Portuguesa On-Line", consultado em 15 de Março, 20h55
Hugo Canossa "Apreciações"
***********************************

apreciações
derivação fem. plu. de apreciar
fem. plu. de apreciação
apreciar
do Lat. appretiare
v. tr.,
dar valor ou apreço a; ter em apreço; estimar; considerar; avaliar; julgar; calcular.
Definição do "Dicionário da Língua Portuguesa On-Line", consultado em 15 de Março, 20h58
Local multifacetado, concentrado de manifestos multi-artísticos, multi-culturais e multi-opinativos, onde terão lugar as apreciações, principalmente, mas também as sugestões e críticas. De quê? De tudo!
Desde discos a apresentações de discos, concertos, lançamentos de livros novos, mas também livros já lidos, estreias de filmes, mas também opiniões sobre os 'clássicos' do cinema (DVD killed the VHS stars? Claro. VHS also killed the Beta stars...), restaurantes novos mas também recantos de bem-comer e bem-beber, bares idos e bares vindos, discotecas de ontem, de sempre e do amanhã.
Estaremos presentes (fisicamente) em debates, seminários, colóquios de temas actuais, actualíssimos, importantes, ou nem por isso, desde que merecedores da nossa atenção. Vamos levantar a nossa voz. Temos perguntas para fazer. Esperamos ter respostas para ouvir.
Vamos estar aqui para apreciar. Com perspectivas de 360º. Que comecem os desfiles...
Hugo Santos "state of the art"
************************************

Caros artistas, artesãos, consumidores de arte, gente comum, público em geral.
É chegada a altura de meter as mãos na massa, no lodo, na verborreia pardacenta da nossa elite artística, para dela retirar qualquer coisa a mais do que um simples aperitivo ou um copinho de vinho do porto. É inaugurada, sem pompa nem circunstância, aqui e hoje, a crónica "State of the art".
“E o que se irá aqui tratar”, perguntam, e muito bem, os meus caros amigos.
Pois bem. Para perguntas difíceis, respostas difíceis.
Aqui poderemos, iremos certamente, quiçá de forma algo atabalhoada ou barrocamente poética, abordar os assuntos emergentes da arte dos nossos dias. É certo e sabido que a arte dos nossos dias é a arte de ontem, a arte de hoje e a arte de amanhã. Corremos pois o risco de ter uma escala temporal demasiado grande para o pretendido. Sendo que a mente humana é limitada e preguiçosa, tendo ainda em conta que essa característica se encontra bem oleada no cérebro deste vosso humilde narrador, somos forçados a limitar o tempo artístico aos momentos mais próximos que agora vivemos, sendo que o agora abrange um período relativamente curto de um ano, mais coisa menos coisa.
Não se trata pois de uma agenda cultural, nem de uma crítica, no verdadeiro sentido da palavra, mas sim de um critério crítico agendado de forma assimétrica. Talvez seja mesmo qualquer coisa deste género.
Despeço-me dos meus amigos, prometendo críticas agre-e-doce nas futuras incursões.
Nuno Gomes "Estranha Mente"
**************************************

estranha
3ª pess. sing. pres. ind. de estranhar
2ª pess. sing. imp. de estranhar
fem. sing. de estranho
estranhar
v. tr.,
achar estranho, diferente daquilo a que se estava habituado, ou daquilo que se esperava; achar censurável; censurar; não se familiarizar com;
v. int.,
sentir surpresa, admiração; ficar ou sentir-se desadaptado.
mente s. f.
3ª pess. sing. pres. ind. de mentir
2ª pess. sing. imp. de mentir
mente
do Lat. mente
inteligência; intelecto; poder intelectual do espírito; espírito; tenção; desígnio; intuito; memória;
lembrança; concepção, imaginação.
Definição do "Dicionário da Língua Portuguesa On-Line", consultado em 15 de Março, 21h03
Estranha mente... ou o terrorista do senso comum.
Espaço onde mensalmente se apresentarão pontos de vista sobre tudo e mais alguma coisa. Das grandes preocupações mundiais às regionais, passando pelas grandes questões filosóficas, sociológicas e até económicas.
Será uma versão para agnósticos das encíclicas papais ou um guia para desorientados conformados.
Nestas crónicas ou desabafos tudo será posto em causa. No entanto, gostaria de advertir que muito poucas respostas serão dadas. Tentarei destruir ideias feitas e estereótipos para os substituir por indefinições, ambiguidades e parvoíces. No fundo tornar o mundo o mais parecido possível com as nossas vivências mundanas.
Quantas vezes deu por si a repetir a frase “Serei eu que estarei a ficar estúpido, ou…”? Pois é por este simples, mas preocupante, motivo que a Estranha Mente tenta algo único: provar que o primeiro sintoma de um maluco (dizer que não o é, os outros é que estão), não é mais que o último suspiro antes de ser engolido por esse monstro chamado senso comum.
Numa sociedade onde as pessoas são na mais geral das generalidades classificadas como normais ou malucas, a Estranha Mente oferece uma nova ordem social: contra os carneiros, a favor de todos aqueles que, cada vez mais, percebem menos disto.
Se se considera um dos que cada vez mais percebe menos a sua realidade ou se ao fim destes parágrafos está completamente baralhado, não perca as mais irresponsáveis e pouco profundas reflexões, que irão abalar as suas mais fortes convicções…
Até breve.
do Lat. chronica
fem. sing. de crónico
narrativa histórica, segundo a ordem dos tempos; noticiário dos periódicos; comentário de factos da actualidade; referências desfavoráveis à vida de alguém; revista científica ou literária que forma uma secção de jornal.
cronista
s. 2 gén.,
pessoa que escreve crónicas; historiador.
Definições do "Dicionário da Língua Portuguesa On-Line", consultado em 15 de Março, 20h55
Hugo Canossa "Apreciações"
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apreciações
derivação fem. plu. de apreciar
fem. plu. de apreciação
apreciar
do Lat. appretiare
v. tr.,
dar valor ou apreço a; ter em apreço; estimar; considerar; avaliar; julgar; calcular.
Definição do "Dicionário da Língua Portuguesa On-Line", consultado em 15 de Março, 20h58
Local multifacetado, concentrado de manifestos multi-artísticos, multi-culturais e multi-opinativos, onde terão lugar as apreciações, principalmente, mas também as sugestões e críticas. De quê? De tudo!
Desde discos a apresentações de discos, concertos, lançamentos de livros novos, mas também livros já lidos, estreias de filmes, mas também opiniões sobre os 'clássicos' do cinema (DVD killed the VHS stars? Claro. VHS also killed the Beta stars...), restaurantes novos mas também recantos de bem-comer e bem-beber, bares idos e bares vindos, discotecas de ontem, de sempre e do amanhã.
Estaremos presentes (fisicamente) em debates, seminários, colóquios de temas actuais, actualíssimos, importantes, ou nem por isso, desde que merecedores da nossa atenção. Vamos levantar a nossa voz. Temos perguntas para fazer. Esperamos ter respostas para ouvir.
Vamos estar aqui para apreciar. Com perspectivas de 360º. Que comecem os desfiles...
Hugo Santos "state of the art"
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Caros artistas, artesãos, consumidores de arte, gente comum, público em geral.
É chegada a altura de meter as mãos na massa, no lodo, na verborreia pardacenta da nossa elite artística, para dela retirar qualquer coisa a mais do que um simples aperitivo ou um copinho de vinho do porto. É inaugurada, sem pompa nem circunstância, aqui e hoje, a crónica "State of the art".
“E o que se irá aqui tratar”, perguntam, e muito bem, os meus caros amigos.
Pois bem. Para perguntas difíceis, respostas difíceis.
Aqui poderemos, iremos certamente, quiçá de forma algo atabalhoada ou barrocamente poética, abordar os assuntos emergentes da arte dos nossos dias. É certo e sabido que a arte dos nossos dias é a arte de ontem, a arte de hoje e a arte de amanhã. Corremos pois o risco de ter uma escala temporal demasiado grande para o pretendido. Sendo que a mente humana é limitada e preguiçosa, tendo ainda em conta que essa característica se encontra bem oleada no cérebro deste vosso humilde narrador, somos forçados a limitar o tempo artístico aos momentos mais próximos que agora vivemos, sendo que o agora abrange um período relativamente curto de um ano, mais coisa menos coisa.
Não se trata pois de uma agenda cultural, nem de uma crítica, no verdadeiro sentido da palavra, mas sim de um critério crítico agendado de forma assimétrica. Talvez seja mesmo qualquer coisa deste género.
Despeço-me dos meus amigos, prometendo críticas agre-e-doce nas futuras incursões.
Nuno Gomes "Estranha Mente"
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estranha
3ª pess. sing. pres. ind. de estranhar
2ª pess. sing. imp. de estranhar
fem. sing. de estranho
estranhar
v. tr.,
achar estranho, diferente daquilo a que se estava habituado, ou daquilo que se esperava; achar censurável; censurar; não se familiarizar com;
v. int.,
sentir surpresa, admiração; ficar ou sentir-se desadaptado.
mente s. f.
3ª pess. sing. pres. ind. de mentir
2ª pess. sing. imp. de mentir
mente
do Lat. mente
inteligência; intelecto; poder intelectual do espírito; espírito; tenção; desígnio; intuito; memória;
lembrança; concepção, imaginação.
Definição do "Dicionário da Língua Portuguesa On-Line", consultado em 15 de Março, 21h03
Estranha mente... ou o terrorista do senso comum.
Espaço onde mensalmente se apresentarão pontos de vista sobre tudo e mais alguma coisa. Das grandes preocupações mundiais às regionais, passando pelas grandes questões filosóficas, sociológicas e até económicas.
Será uma versão para agnósticos das encíclicas papais ou um guia para desorientados conformados.
Nestas crónicas ou desabafos tudo será posto em causa. No entanto, gostaria de advertir que muito poucas respostas serão dadas. Tentarei destruir ideias feitas e estereótipos para os substituir por indefinições, ambiguidades e parvoíces. No fundo tornar o mundo o mais parecido possível com as nossas vivências mundanas.
Quantas vezes deu por si a repetir a frase “Serei eu que estarei a ficar estúpido, ou…”? Pois é por este simples, mas preocupante, motivo que a Estranha Mente tenta algo único: provar que o primeiro sintoma de um maluco (dizer que não o é, os outros é que estão), não é mais que o último suspiro antes de ser engolido por esse monstro chamado senso comum.
Numa sociedade onde as pessoas são na mais geral das generalidades classificadas como normais ou malucas, a Estranha Mente oferece uma nova ordem social: contra os carneiros, a favor de todos aqueles que, cada vez mais, percebem menos disto.
Se se considera um dos que cada vez mais percebe menos a sua realidade ou se ao fim destes parágrafos está completamente baralhado, não perca as mais irresponsáveis e pouco profundas reflexões, que irão abalar as suas mais fortes convicções…
Até breve.
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
brakebit.blorg - o blog da brakebit.org

(pronuncia-se breiquebite ponto orgue) é uma organização criada em Janeiro de 2004, constituída por pessoas, individuais ou colectivas, que exercem a sua actividade no âmbito das Artes e da Cultura.
Ao fim de 3 anos de vida, caminhados com passos firmes, sentimos desejo de começar a falar...! Evolução natural, pensarão alguns... Nós também.
Tal como uma entidade humana começa a ter noção das coisas e a percepção do ambiente que a rodeia, também nós sentimos o ambiente que nos rodeia. Melhor ainda, percepcionamos o ambiente do qual nos queremos ver rodeados.
As experiências vividas, os ensinamentos recolhidos, as competências adquiridas ao fim de 1000 e alguns dias de existência fazem-nos sentir capazes de articular várias vozes, vozes essas que queremos partilhar e sentir escutadas.
Voltamos brevemente. A próxima publicação será a apresentação dos cronistas.
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