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sábado, 23 de maio de 2009

Jornal Nacional: Manuela Moura Guedes vs. António Marinho Pinto

Sempre ouvi dizer que os opostos se atraem. A esta afirmação poderei contrapor que os semelhantes se repelem?

Jornal Nacional, da TVIVem esta crónica a propósito do maravilhoso momento televisivo (ver vídeo) proporcionado ontem por esses dois 'monstros' da comunicação: Manuela Moura Guedes, apresentadora do "Jornal Nacional" da TVI às sextas-feiras e António Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, ambos conhecidos pela sua capacidade assertiva de expôr as suas ideias e convicções.

Não sei justificar o porquê da minha televisão estar na TVI no preci(o)so momento, ainda para mais a uma sexta-feira. O que é certo é que fiquei a ver a 'entrevista' até ao momento em que, muito respeitosamente, se despedem e o realizador decide avançar com o separador para publicidade. Sim, também eu contribui para a(s) audiência(s). A velha história do "não gosto, mas vi!"... Que emoção viver a História em direto!

Devo ser justo e fazer a devida vénia e tornar público um enorme agradecimento à direção editorial do canal por tantos e tão bons conteúdos (jornalísticos e televisivos). Acredito piamente que os docentes de Jornalismo aproveitem este registo (mas também outros...) para mostrar aos aspirantes a jornalistas como não se deve fazer jornalismo.

Hugo Canossa - "Apreciações" #013

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A importância da leitura para mim...

O som do mar a abraçar a areia da praia ou a afagar as rochas da costa, o chilriar dos passarinhos numa manhã ensolarada de Primavera, o aroma inebriante de um imenso campo florido, o cheiro da chuva na terra, as pequenas e brilhantes gotículas de orvalho nas frágeis folhas das plantas, o primeiro e inevitável sorriso da mãe ao vislumbrar pela primeira vez o seu recém-nascido, o abraço entre dois jovens verdadeiramente apaixonados, o apertar de mãos do casal octagenário, o sabor paradisíaco da nossa sobremesa preferida, a cor da floresta reflectida no rio, a tonalidade do pôr do sol sob o céu limpo, a obra prima acabada de finalizar, o reencontro dos separados, o transpirar químico do amor puro.

O cheque acabado de ser roubado ao pensionista reformado, o bébé raptado da maternidade, o cliente enganado pelo vendedor, o violador absolvido pela justiça dos homens, a morte desonrada, o espelho partido, a voz histérica e esganiçada, a falta de cor do desmaiado, a comida estragada, as promessas em vão, os juramentos quebrados, o asqueroso cheiro do resultado da dor de barriga, a sombra do cimento citadino, o fumo dos escapes urbanos e chaminés industriais, o suor do stress e do medo, a falta de originalidade da música comercial, a mão de obra escrava, a incontornável fome, a doença exclusiva dos pobres, a prepotência dos auto-iluminados, a moda inesclarecida, a guerra físíca e psicológica, o poder do dinheiro.

Tudo isto é literatura porque tudo isto é real e tudo isto é vida. Passível de sentimentos contraditórios e reacções diversas. É assim a literatura. Mas afinal qual é a importância da literatura para mim? (ou para ele?) - interrogar-se-á o leitor destas palavras. Que lhe importa isso? - responderia o autor das mesmas. Será importante para si saber qual a importância da literatura para mim? Não sou um escritor premiado. E se o fosse? E se fosse eu um galardoado com a mais grandiosa distinção literária? Seria isso importante para si? Faria isso com que lesse mais literatura? Ou aumentaria, esse facto, a importância da literatura para si?

É muito mais fácil fazer zapping na televisão ou jogar um joguinho na playstation do que ler. Literatura claro está porque jornais desportivos e revistas cor de rosa vendem-se que nem gomas em frente ao ciclo preparatório.

Não tenho tempo. Não tenho paciência. Já me chega ter de ler as facturas que pago e as letras grandes dos contratos que assino (porque em relação às pequeninas, nem pensar em lê-las) - Dirá uma grande parte dos portugueses, provavelmente uma infeliz maioria mas como vivemos numa democracia...

Quanto a mim, ninguém me encomendou esta prosa e no entanto escrevia e fi-lo com o máximo prazer. É esta a importância da literatura para mim.

Miguel dos Santos - "III Milénio" #002