domingo, 18 de janeiro de 2009

A pior música de 2008

A febre das músicas escolhidas para sonorizar anúncios televisivos e radiofónicos está aí para durar... Desde o surgimento das operadoras de telemóveis (principalmente estas...) que certas melodias se impregnam de tal forma doentia que a sua expulsão se torna difícil, para não escrever impossível...

Vem este texto a propósito de uma música utilizada, não num anúncio de operadoras de telemóveis (quem diria??), mas de uma muito apreciada marca de cerveja nacional: a nossa grande Super Bock!

"The story" é contada (escrever 'cantada' seria um exagero...) por uma tal de Brandi Carlile que, após um registo inicial descomprometido e algo inocente, explode para uma raiva incontrolada. É precisamente esta explosão que mexe com o meu âmago... Com efeito, o tom desesperante e o volume empregue pela menina concorre com alguns dos mais agoniantes atos de regurgitamento humano (traduzir por "chamar o Gregório..." ou "virar o barco...").

A esta música atribuo, de uma forma indiscutível, o título de "pior música de 2008"! Ficam aqui públicos os meus parabéns à menina por tal galardão e deixo aqui a sugestão para todos nós que, por uma razão ou outra, passamos por momentos cujo regurgitamento se torna inevitável, para complementar esse ato com o trautear explosivo da frase "All of these lines across my face...".

Hugo Canossa - "Apreciações" #011

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Not My Space

Há cultos que se criam que, muitas vezes, escapam à nossa capacidade de percepção. Não, não vou escrever sobre o Tony Carreira. Segundo me explicaram, não tem voz, mas "é uma excelente figura". Para o filho Mickael é que ainda aguardo uma explicação minimamente plausível...

Vou escrever, sim, sobre o My Space. Criada em 2004, esta rede social tornou-se um espelho da cultura pop, promovendo novas bandas e respectivas músicas, produtores de vídeo e artistas do mundo web. Utilizada também por amigos que procuram outros amigos, colegas de estudo e famílias que pretendem manter-se em contacto, a possibilidade de carregar e partilhar fotos, comunicar instantaneamente ou através de correio electrónico, escrever 'blogs' e comentários, visualizar e partilhar vídeos, de uma forma absolutamente gratuita (a web 2.0 no seu esplendor), resultou num sucesso massivo, com milhões de utilizadores em todo o mundo (o último número fala de 110 milhões...).

É exactamente este sucesso massivo que foge à minha percepção... Não coloco em causa a enorme vantagem de se conhecer artistas de uma forma 'autónoma', sem dependência das questionáveis vontades de A&R de editoras e correntes de moda musicais. Mas uma visita cuidada e atenta à(s) página(s) disponibilizada(s) pelo My Space permite perceber que, para além da vontade de muitos utilizadores consultarem os 'espaços' dos seus artistas preferidos e ter o primeiro contacto com muitos outros, uma grande fatia de utilizadores utiliza os 'espaços' dos outros para promover os seus 'espaços'. Confuso? Bastante...

Aquando das minhas (raras) visitas aos 'espaços' de algumas bandas, constato que os comentários de alguns visitantes mais não são do que a promoção textual ou gráfica de eventos desses visitantes, o que, extrapolando para espaços físicos, representa uma visita a minha casa, não para apreciar o meu conteúdo, mas sim para colar cartazes nas minhas paredes, no meu chão e tecto ou deixarem lá 'flyers'. Pouco correcto? Talvez...

Na passada terça-feira, 27 de Maio, abriu oficialmente a página do My Space em Portugal. Mantêm-se os conteúdos disponibilizados pela versão internacional, mas agora em língua portuguesa. O director de entretenimento e vídeo na Europa, James Fabricant, explica que esta "é a oportunidade de mostrar os conteúdos mais relevantes para o país". Eu arrisco dizer que encontraram em Portugal um país que reflecte de uma forma quase fiel a sua estrutura de funcionamento:
1) uma arquitectura absolutamente reprovável, que desrespeita todas as normas de uma boa e correcta estrutura de informação, fazendo da navegação da(s) página(s) um experiência tortuosa, demorada e nada "user-friendly";
2) uma cultura de partilha onde ninguém ouve ninguém, apenas quer é ser ouvido;
3) um sentimento de necessidade de existência, qual neo-parolismo, só para dizer que "eu tenho my space, eu estou actual"...

Not My SpaceUma das questões que mais vezes me colocam (como 'frontman' do portal brakebit.org e promotor de alguns projectos nele inseridos) é "Tens My Space?". A minha resposta é um taxativo "Não!". Dependendo do tempo que a pessoa tem para me escutar, apresento e fundamento alguns dos argumentos que me levam a optar pela não-criação de um perfil e a não-presença nesta rede social de inusitado sucesso.

Muito tempo antes de escrever este artigo, confrontei a minha opinião com portadores de perfil no My Space e acérrimos defensores do conceito desta rede social. Poucos concorda(ra)m comigo. Manifestei-lhes a minha disponibilidade para visitar páginas que eles considerassem bons e muito bons exemplos, no sentido de reapreciar e reconsiderar a minha opinião. Ainda hoje aguardo... Será que não se conhecem essas páginas? Ou não existem mesmo??

Sei que arrisco más reacções a este artigo. Não me convém, portanto, deixar de reforçar que aplaudo o empreendorismo da maior parte dos artistas que optam pela procura do sucesso com um custo pouco maior que zero. Mas, definitivamente, "this is not my space"...

Hugo Canossa - "Apreciações" #010

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O post scriptum de um país

SÓCRATES - Sistema Opressivo, Corrupto e Responsável Antes de Tudo por um Espaço Sufocante em que deixa de haver a liberdade de opção e passa a dominar a uniformidade, descoloração do verdadeiro interesse da e pela vida.

SIMPLEX - Será Isto Mais um Programa Louco e EXemplificativo de uma tentativa (falhada?) de tentar banalizar procedimentos que se querem, no mínimo, rigorosos e edificantes. “Empresa na hora, falência no minuto”.

ASAE - Antes Só que mal Acompanhado E sempre que possível em liberdade. Liberdade é palavra que repito e que se tem, cada vez mais, de repetir. Está em falta em Portugal. Liberdade de escolha. Liberdade de acção. Vem acompanhada, politicamente, da palavra RESPEITO. Respeito por quem, ingenuamente e ainda que uma só vez, acreditou.

Como não há respeito, as mudanças são impostas. Quem acreditou, ainda que uma só vez e ingenuamente, que aprenda, agora, a lição. Quem também está a aprender a lição, ainda que sem necessidade ou culpa, são os que já não acreditavam. Aliás, mesmo os que já não acreditavam ficaram surpreendidos com o impacto. Perturbados com a gravidade da doença. Do tumor que infecta cancerosamente o RESPEITO pela LIBERDADE dos cidadãos da República Portuguesa.

Qualquer português normal, culto ou ignorante, diz que "Quem lá se apanha, lá se governa". No entanto, PQP1, não exagerem!

É fácil e pacífico brincar com as siglas mas não é justo nem admissível brincar com as pessoas. É de pessoas que se tratam, não somos números, não somos estatísticas. PQP as macro-ideias. Actualmente, o povo português pensa em como dar comida aos filhos e chegar ao fim do mês sem dívidas.

O exemplo não é dado. Logo, não pode haver seguidores cegos. Custa-nos na pele o luxo exclusivo de quem se regozija em distribuir algumas migalhas pelos pobres. Os porcos não merecem pérolas! Que comam restos ou lavagem!

Impõe-se a tomada de medidas drásticas. Cortar o mal pela raiz. Decepar o membro infectado para conseguir salvar o corpo. Não vai ser fácil e pode haver muitas baixas. Nem sequer temos a certeza de conseguir vencer mas mais vale perecer lutando do que viver subjugado. Por isso, se querem que os vossos filhos cresçam com opções e ou se querem conseguir VIVER o resto da vossa Vida, não basta dizer NÃO. Temos que dizer BASTA, RUA (“põe-te a milhas, Pinóquio!”) e NUNCA MAIS!!

1 Prostituta que dá à luz; calão portuense

Miguel dos Santos - "III Milénio" #003